Era uma vez um boneco desenhado numa folha de papel. Era simples, tinha duas rectas a fazer de braços, uma a fazer de tronco, duas a fazer de pernas e uma circunferência mal feita para a cabeça. Não tinha mãos, nem pés, nem mesmo cara.
O bonequinho era marginalizado pelos outros desenhos, bem feitos e trabalhados, que diziam:
– Olha para aquele boneco, não tem mãos, nem pés, nem cara! Que boneco ridículo! – todos diziam.
A sorte que o pequeno boneco tinha era ter uma folha de papel toda só para ele. Esta folha estava numa galeria. Era uma pequena divisão e tinha montes de desenhos pendurados na parede, nas mesas, e até havia um a tapar o relógio!
Via-se que o seu artista trabalhara mais noutros desenhos. Este bonequinho sentia-se sozinho. Quando os outros desenhos falavam com ou sobre ele, só diziam coisas más. Nem uma casinha este homenzinho tinha.
Mas um dia, o seu artista entrou na divisão e disse:
– Bem, estou inspirado!
O desenhinho ficou logo esperançoso. Mas ao ver que o rapaz pegou numa folha branca, ficou desiludido. Mas… então o artista reparou nele , e num ápice pegou na folha e no lápis.
Deu-lhe um bom corpo base, fazendo um bom tronco, uma oval perfeita para a cabeça. Deu-lhe mãos e pés, deu-lhe uma belíssima cara. Até lhe deu roupa e ténis! Deu-lhe uma casa, deu-lhe uma praia como plano de fundo!
Assinou em baixo e beijou o desenho, dizendo:
– Do mais feio botão nasce a mais linda rosa! Ou, neste caso, do mais feio desenho nasce a mais bela obra prima.
O boneco ficou tão feliz, que decidiu nunca mais sair dessa folha. E não saiu. Foi exposto numa verdadeira galeria de arte. E nunca foi tão feliz.
Urmik Mohanlal, 7ºB
