Os Barrão – Consílio dos Gajos

Já no grande palco rockavam,
Os fans gritando e empurrando
As vibrações pelo ar se propagavam
O entusiasmo, enfim, alargando
E os cartazes os fãs mostravam
Para a banda que as músicas ia cantando
Músicas estas sagradas
Que do género pimba eram derivadas.

Quando os gajos na sala grandiosa
Onde o governo está do rock’n roll ardente
Se ajuntam em reunião gloriosa
Sobre a música pimba do ocidente
Pisando o corredor juntamente
Convocados da parte de Teles
Mestre do Toni reles

Deixam das cinco salas o regimento
Que sem poder algum lhes foi dado
Baixo poder que só com o pensamento
Nada governa tornando-o irado
Ali se acharam juntos, num momento,
Os que habitam o 2º andar avermelhado
E os que no 1º andar habitam onde
O professor dá aulas e o aluno se esconde

Estava ali Teles sublime e dino
Que escreve com o seu lápis pelicano
Num caderno com poucas folhas e pequenino
Com letra rude imprópria de um soberano
Da fussa espirrava ranho divino
Que divino tornara um macaco humano
Com um lápis e uma caneta cintilante
Cuja tinta era mais clara do que diamante

Em assentos de madeira já estragados
De madeira e ferro, que vandalizados estavam
Os outros gajos, todos assentados
Como a boazisse e a repugnância concertavam
( precedem os machões, mais musculados
Mais abaixo os nerds se assentavam)
Quando Teles alto assi dizendo
Cum tom de voz começa, grave e horrendo:

«Eternos moradores do ano luzente
Salinho senta-te no assento
Se do grande rock da forte gente
D’Os grandes Barrão não perdeis o pensamento
Deveis de ter ouvido fortemente
Como é a pimbalhada um grande evento
Que se lembrem dela os humanos,
E esqueçam o pimba antigo dos Gregos e Romanos.

Já lhe foi ( bem ouvistes ) concedido,
Ao grupo tão singelo e tão pequeno,
Tomar ao Lisboeta forte e guarnecido
Toda a Terra que rega o Tejo ameno
Pois contra o fado tão temido
Sempre alcançou favor do rock’n roll sereno
Assi que sempre, enfim com fama e glória
Teve os troféus pendentes da vitória.

Deixo,Gajos, atrás a fama antiga
Que co a gente do CSCM alcançaram
Quando com Barroso e Simão, na inimiga
Batalha das bandas, tanto se afamaram.
Também deixo a memória que os obriga
A grande nome, quando alevantaram
Um tipo fixe de nome Cunha, que peregrino
Tocou na guitarra rock divino

Agora vedes bem que, cometendo
O duvidoso rock numa guitarra leve
Por cordas nunca usadas, não temendo
De Slash e D’zrt a força, a mais se atreve:
Que acordes tocando e músicas fazendo
Onde o rock é forte e breve
Inclinam o seu propósito e magia
A ver os palcos onde nasce o dia

Prometido lhe está do rock eterno
Cuja alta lei pode ser quebrada
Que tenham longos tempos o governo
Do palco que vê do rock a forçosa entrada.
No CSCM tem passado o duro
A banda vem preparada para a rockalhada
Já parece bem feito que lhe seja
Dada a fama que deseja

E, porque, como vistes tem passados
Na viagem tão ásperos perigos
Tantas plateias e palcos estragados
Tanto furor de grupo inimigos
Que sejam, determino agasalhados
Nesta costa lisbonense como amigos
E tendo guarnecido a grande banda
Tornarão a seguir sua longa demanda»

Estas palavras Teles dezia,
Quando os gajos, por ordem respondendo,
Na sentença um do outro difiria
Razões diversas dando e recebendo
O gajo Salinho ali não consentia
No que Teles disse, conhecendo
Que esquecerão na internet o que fez recentemente
Se lá passarem Os Barrão e a sua gente.

Ouvido tinha ao rockeiro destino que viria
Hua gente fortíssima dos vizinhos de Espanha
Pelos palcos , a qual sujeitaria
De Lisboa e tudo quanto o Tejo banha
E com novas rockalhadas venceria
A música antiga, sua ou fosse estranha
Altamente lhe dói perder a glória
Que o Habbo celebra ainda a memória.

Vê que já teve o Habbo sojugado
E nunca lhe tirou divertimento ou caso
Por administrador do Habbo ser cantado
De quantos inscrevem no jogo de grande uso
Teme agora que seja sepultado
Seu célebre nome em negro vaso
De água do esquecimento,
Se lá chegam Os Barrão que a derrota negam..

Sustentava contra ele Catarina bela
Afeiçoada a’Os Barrão, gente lusitana,
Pela sua música e as qualidades que via nela
Tão antiga tão amada sua, música urbana
Das grandes baladas que os tornam uma estrela
Que mostraram na terra do Tejo e alentejana
E na língua, na qual, quando imagina,
Com pouca corrupção é latina

Estas cousas moviam Catarina de tal maneira,
E mais, porque do rock, claro entende
Que há de ser celebrada a sua figura de sereia
Onde a gente barrónica se estende
Assi que, um pela infâmia que arreceia,
E outro, pelas honras que pretende;
Debatem e na perfia permanecem
A qualquer seus amigos favorecem

Qual Acorde ou Dedilhado na amargura,
Da acústica guitarra abastecida
Rompendo os ouvidos da plateia escura
Com ímpito e sonoridade desmedida
Agita todo o público e o som murmura
Rompem-se as cordas, soa a rockalhada erguida
Tal andava o tumulto, levantado
Entre os gajos, no salão consagrado

Mas Sebastião, que da Catarina sustentava
Entre todas as partes em porfia,
Ou porque o amor moderno o obrigava,
OU porque a gente forte o merecia,
De antre os gajos em pé se levanta
(Merencório no gesto parecia)
O forte casaco, ao colo pendurado,
Deitando para trás, medonho e irado

A franja do cabelo circundante
Acertando um pouco mui seguro,
Para dar seu parecer se pôs diante
De Teles, vestido, forte e duro;
E dando hua pancada penetrante,
Co a sola do sapato, no solo puro,
O colégio tremeu, e as lampadas, torvadas,
Um pouco de luz perderam, como infiadas

E disse assi: « Ó Teles, a cujo o império
Todo o rock maravilhoso que tocaste
Se esta gente busca caminho de mistério
Cujo rock e obras tanto amaste
Não queres que padeçam vitupério
Como há já tanto tempo que ordenaste
Não ouças mais, pois é juiz direito
Razões de quem parece que é suspeito

Que se aqui a razão se não mostrasse
Vencida do temor demasiado
Bem fora que aqui Salinho os sustentasse
Pois que de Barrão vem seu tão privado;
Mas esta tensão sua agora passe
Porque enfim vem de sentimento danado,
Que nunca tirará alheia inveja
O bem que outrem merece e o CSCM deseja

E tu, Teles de grande fortaleza
Da determinação que tens tomada
Não tornes por de trás, pois é fraqueza
Desistir-se da cousa começada
Cerejeira pois excede em ligeireza
Ao dedilhado leve e à nota bem tocada
Lhe vai mostrar o palco, onde se informe
Dos Barrão e onde a gente se reforme

Como isto disse, o Teles poderoso,
A cabeça inclinando, consentiu
No que disse Sebastião valeroso
E chocolates por todos destribuiu.
Pelo corredor do andar glorioso
Logo cada um dos Gajos se partiu
Fazendo seus reais acatamentos
Pera os determinados apousentos.

Simão Pereira, Francisco Cunha, João Barroso, 9º ano


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