Mais uns poemas ao estilo de Alberto Caeiro escritos pelos nossos alunos do 12º ano.

Deambulo pelos meus sentidos
E neles encontro a razão.
Meu ser é como o ar que respiro
Trazendo tantas recordações.

Envolto no meu Mundo
Sinto quem sou vendo.
Vendo tudo o que a manhã deixou
Sem dor ou desespero.
Mas se paro para pensar,
Uma penumbra logo aparece
E, neste nevoeiro infinito,
Todo o meu ser escurece.

Volta, chama do meu ser!
Renasce em mim a fúria de viver…

Ana Rita Sampaio, 12º C2

É importante pensar,
Mas só quando não se está a olhar…
Deve-se ver. Olhar. Sem parar.
A vida vê-se, sente-se, acredita-se.
A vida não se pensa.

Teremos muito tempo para pensar
Quando deixarmos de ver.
Pensar é imaginar o que
Acontece ou aconteceu.
A vida vê-se, sente-se, acredita-se.
A vida não se imagina.

Viver é fatalmente natural.
Pensar é puramente artificial.
Eu vivo com a Natureza.
Vivo longe das máquinas.
A vida vê-se, sente-se, acredita-se.
A vida não se mecaniza.

É importante pensar
Se não se quiser viver.

Pedro Garcia, 12º C2

Acordo
Raia já o sol
Tão luminoso, tão vivo
Ao contrário de mim
Tão mortiço
Longe do que já fui.

Já não sou o mesmo
Já não sou
O criativo que era,
A euforia perdeu-se
Agora sou,
Simplesmente eu,
Eu simplesmente.

O fascínio passou
E a inspiração também,
Como se de repente
A máquina tivesse parado
E a produção cessado
E eu sou apenas
Relíquia
Do passado
Sombra do que fui,
Do que não serei,
Ou voltarei a ser.

Nuno Pires, 12º C1

O Cego

Vê mas não olha
Aprisionado, encarcerado,
Como o meu ser
Livremente aprisionado!

Deambula na privação,
Sozinho e sem ninguém.
Entoando a canção
Esperando o além.

Pobre de si.
Mais belo que um cego?
Não o encontro nem em mim!

Não olha, não morre. O cego sonha e perdura,
No Mundo que dele não é.
Aprisionado para sempre numa liberdade que cura.

Alexandre Miedzir, 12º C3


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