Deambulo pelos meus sentidos
E neles encontro a razão.
Meu ser é como o ar que respiro
Trazendo tantas recordações.
Envolto no meu Mundo
Sinto quem sou vendo.
Vendo tudo o que a manhã deixou
Sem dor ou desespero.
Mas se paro para pensar,
Uma penumbra logo aparece
E, neste nevoeiro infinito,
Todo o meu ser escurece.
Volta, chama do meu ser!
Renasce em mim a fúria de viver…
Ana Rita Sampaio, 12º C2
É importante pensar,
Mas só quando não se está a olhar…
Deve-se ver. Olhar. Sem parar.
A vida vê-se, sente-se, acredita-se.
A vida não se pensa.
Teremos muito tempo para pensar
Quando deixarmos de ver.
Pensar é imaginar o que
Acontece ou aconteceu.
A vida vê-se, sente-se, acredita-se.
A vida não se imagina.
Viver é fatalmente natural.
Pensar é puramente artificial.
Eu vivo com a Natureza.
Vivo longe das máquinas.
A vida vê-se, sente-se, acredita-se.
A vida não se mecaniza.
É importante pensar
Se não se quiser viver.
Pedro Garcia, 12º C2
Acordo
Raia já o sol
Tão luminoso, tão vivo
Ao contrário de mim
Tão mortiço
Longe do que já fui.
Já não sou o mesmo
Já não sou
O criativo que era,
A euforia perdeu-se
Agora sou,
Simplesmente eu,
Eu simplesmente.
O fascínio passou
E a inspiração também,
Como se de repente
A máquina tivesse parado
E a produção cessado
E eu sou apenas
Relíquia
Do passado
Sombra do que fui,
Do que não serei,
Ou voltarei a ser.
Nuno Pires, 12º C1
O Cego
Vê mas não olha
Aprisionado, encarcerado,
Como o meu ser
Livremente aprisionado!
Deambula na privação,
Sozinho e sem ninguém.
Entoando a canção
Esperando o além.
Pobre de si.
Mais belo que um cego?
Não o encontro nem em mim!
Não olha, não morre. O cego sonha e perdura,
No Mundo que dele não é.
Aprisionado para sempre numa liberdade que cura.
Alexandre Miedzir, 12º C3
