Poemas ao jeito de Pessoa

Os alunos do 12ºano, inspirados pela estética pessoana ortónima e heterónima, escreveram poemas  criativos dos quais deixamos aqui alguns exemplos.

fernando-pessoa-heteronimos-costa-pinheiro-oleo-sobre-tela-19781

Ao jeito de Álvaro de Campos

  Olho sem ver,
Oiço sem escutar.
Todo este cansaço,
Ameaça constante como um revólver,
Ameaça me lançar de volta
Ao mar de aço.
Mas todo aquele mar
De rodas, de ranger e de rugir,
Máquinas outrora formosas e de pasmar,
Já não me fazem sentir.
Estou dominado por este cansaço,
De tal forma intenso
Que nem estou revoltado.
Desejo então um último abraço…
Porque cansa estar cansado.
                                                  Ana Li, 12.º D

Poema ao jeito de Álvaro de Campos

Que angústia

Que angústia estou a sentir

Estou aqui sem nada para fazer.

Que cansaço,

Porquê que estou aqui?

Quereria estar noutro lugar?

Estou aqui a tentar concentrar-me

Mas o tédio apodera-se sobre mim

E eu fico desiludido

Como é que algo consegue controlar-me?

Estou aqui a ouvir palavras,

Porque frases não podem ser

Devido a não conseguir ligá-las

Por isso o que estou aqui a fazer?

E os meus olhos?

O que veem?

Escuridão e uma linha reta.

Nem sequer é uma reta

Porque as rectas são infinitas

E o que vejo é sempre o mesmo

Por isso talvez um segmento

E o infinito é o meu desalento.

                                                José Francisco Pereira 12ºB


Poema ao jeito de  Fernando Pessoa (Ortónimo)

O que é realmente ser
Senão um mero e ilusório parecer,
Sobre o qual pensamos e sonhamos
Com o qual nos atrapalhamos e enganamos

Feliz é aquele que sabe
Sem que a sua sanidade acabe,
Quem foi e quem será
O que é e para onde isso o levará

Eu, como Homem e pensador,
Vivo pouco mais além da dor
Do sonho de uma neve já caída
Que contra minha esperança não pode ser saída

Simão Correia, 12ºB


Esta entrada foi publicada em " Conto Contigo". ligação permanente.

Deixe uma resposta