Os alunos do 12ºano, inspirados pela estética pessoana ortónima e heterónima, escreveram poemas criativos dos quais deixamos aqui alguns exemplos.
Ao jeito de Álvaro de Campos
Poema ao jeito de Álvaro de Campos
Que angústia
Que angústia estou a sentir
Estou aqui sem nada para fazer.
Que cansaço,
Porquê que estou aqui?
Quereria estar noutro lugar?
Estou aqui a tentar concentrar-me
Mas o tédio apodera-se sobre mim
E eu fico desiludido
Como é que algo consegue controlar-me?
Estou aqui a ouvir palavras,
Porque frases não podem ser
Devido a não conseguir ligá-las
Por isso o que estou aqui a fazer?
E os meus olhos?
O que veem?
Escuridão e uma linha reta.
Nem sequer é uma reta
Porque as rectas são infinitas
E o que vejo é sempre o mesmo
Por isso talvez um segmento
E o infinito é o meu desalento.
José Francisco Pereira 12ºB
Poema ao jeito de Fernando Pessoa (Ortónimo)
O que é realmente ser
Senão um mero e ilusório parecer,
Sobre o qual pensamos e sonhamos
Com o qual nos atrapalhamos e enganamos
Feliz é aquele que sabe
Sem que a sua sanidade acabe,
Quem foi e quem será
O que é e para onde isso o levará
Eu, como Homem e pensador,
Vivo pouco mais além da dor
Do sonho de uma neve já caída
Que contra minha esperança não pode ser saída
Simão Correia, 12ºB

