Comemorações do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares no Sagrado

Na passada segunda-feira, dia 2 de Novembro, a Biblioteca do nosso Colégio foi invadida por uma avozinha aparentemente malvada! Esta avozinha entrou de rompante no espaço da biblioteca e leu em voz alta uma história que inicialmente parecia assustadora, deixando todos os que por lá estavam completamente surpresos. O espanto que de início todos sentiram deu lugar às gargalhadas que o final da história arrancou a muitos alunos.
Para todos aqueles que não assistiram à leitura encenada da história de Maria Alberta Menéres, aqui fica o registo fotográfico da atividade e o texto ao qual foi dado vida.

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“Era uma vez uma velha muito velha, muito feia e muito má!!!
Vivia numa casa escura e triste, de paredes pretas e buracos no chão
nos quais por vezes tropeçava ou enterrava os seus próprios pés compridos
e ossudos.
(De repente a voz da avó tornava-se maviosa e fininha como a de
uma flauta.)
Viviam com ela dois meninos muito lindos, loirinhos, um encanto
de crianças, que pareciam mesmo uns anjinhos voando, esvoaçando
por aqui e por ali.
(De novo com a voz cavernosa.)
Mas a velha muito velha, muito feia e muito má, não descansava
enquanto não os via a dormir, calados, sossegados, para ela cirandar
à sua vontade por toda aquela horrorosa casa!
Um dia… quer dizer, uma noite… depois de lhes dar de comer, com
um dedo cheio de verrugas muito espetado, ordenou na sua voz de
bruxa da floresta:
– Meninos, já para a cama! Senão…
(De novo a voz maviosa e fininha.)
E aqueles anjinhos loiros, de cabelos encaracolados e olhos meigos,
correram para as suas caminhas, muito obedientes. Depois de um leve
suspiro, adormeceram, a sorrir.
(De novo em voz cavernosa.)
Então a velha muito velha, muito feia e muito má, rebolou-se pelo
chão, a rir às gargalhadas! Ah! Ah! Ah! Assim é que eu os quero!
Assim é que eu os quero! Ah! Ah! Ah!
Tirou o avental, desgrenhou ainda mais os cabelos e calçou uns
chinelos de trapos com sola de madeira dura. E começou a descer as
escadas, PAM… PAM… PAM… PAM… PAM…Ao chegar à porta do quarto das crianças, espreitou lá para dentro
e a boca escancarou-se-lhe num sorriso horrível: Ah! Ah! Ah! Já estão
a dormir! Já estão como eu quero!!! Ah! Ah! Ah!
E continuou a descer as escadas, PAM… PAM… PAM… PAM… Ao
abrir a porta da cozinha que rangia como um gato esfomeado, a velha
parou um bocado a ver qual era a gaveta dos talheres. Então abriu a
gaveta e tirou de lá de dentro um grande, um enorme facalhão!!!
(Aqui, a avó fazia uma pausa maior e respirava com força. Na
cama larga, os netos aconchegavam-se mais um ao outro e, embora já
conhecessem o final mais que bem, abriam muito os olhos numa
grande ansiedade, não fosse a avó mudar tudo à última da hora. Mal
eles sabiam que, uma vez aqui chegada, ninguém conseguia segurar a
avó! Imperturbável, ela continuou a contar:)
A velha muito velha, muito feia e muito má abriu a gaveta e, como
já disse, tirou de lá de dentro um grande, um enorme facalhão e… e…
e… e… e… e… e… e… pôs manteiga no pão!!!!!”

Maria Alberta Menéres, Uma Palmada na Testa, Verbo


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