Desta vez a professora Sofia Martins revela-nos algumas partes da história de Lisboa através de autores como Marina Tavares Dias e Júlio César Machado.
“Esta semana deixamos aqui mais três livros sobre a cidade de Lisboa durante a segunda metade do século XIX que poderás encontrar na biblioteca do colégio.
Histórias de Lisboa, Marina Tavares Dias – Quimera
“O Janota não é hoje o rei da moda, é o mártir dela: O tipo que o leitor está vendo não é o mártir é o sacrificador da moda. Aquele, aceita-a como ela aparece, este exagera-a ainda por sua conta e risco!
(…) O Janota gasta o que tem e o que não tem, em luvas no Baron, e em fatos do Keil. Deve aos boleeiros, aos sapateiro, à hospedaria, à engomadoria, ao estanqueiro, a todos os agiotas da capital, e até deve ao criado.
Janta no Matta, tendo almoçado no Marrare. À noite toma chá e salame no teatro, ou vai a alguma ceia a que esteja convidado. Costuma dormir até ao meio dia, jantar às seis, e deitar-se às duas da noite. (…) A moda exige ao janota dois amigos que vivam à custa dele. O verdadeiro janota não só sustenta os seus dois amigos, mas veste-os. Da-lhes hoje um fraque, amanhã um colete, tudo menos lenços de pescoço. Gravata é o seu distintivo: boa escolha de cores, a perfeição do laço, constituem o seu triunfo.
O janota vive até aos 29 anos. Aos trinta ou é homem de mundo ou não passas de um desgraçado.”
A vida em Lisboa, Júlio César Machado – Angelus Novus
Também sobre os transportes em Lisboa podes ver o livro comemorativo – edição do centenário sobre a História do Elétrico da Carris
O “carro americano” chegou a Lisboa em 1873. Mas a sua história começa três anos antes no Rio de Janeiro, quando os irmãos Francisco Maria e Luciano Cordeiro de Souza resolveram “tentar futuro na viação carril vicinal e urbana. Para tal, resolvem propor à Câmara de Lisboa o sistema já consagrado nos hábitos de várias cidades americanas.
A primeira linha de Santa Apolónia ao Cais do Sodré conhece pouco depois uma segunda secção, extensiva ao Aterro – Av. 24 de Julho- e a Alcântara. p 25
Por fim, podes espreitar este livro que se trata de um álbum fotográfico repleto de fotos sobre Lisboa no final de século e século XX.
Água fresca e capilé
“35 graus à sombra, em Agosto de 1908. No Terreiro do Paço, um galego com banca ambulante serve o ardina descalço. Escrevem os jornais: “o capilé por si, é uma bebida lisboeta característica, de grande popularidade, havendo quiosques em que é particularmente afamado e de onde, durante o dia, se vendem dezenas de hectolitros!” p. 26
Chiado abaixo
“numa manhã de Outono de 1912, duas costureiras dos elegantes armazéns trazem consigo a merenda da tarde. Vestem de acordo com o figurino importado, mas o tecido, é provavelmente dos saldos do Grandella.” p. 62″


