Quando uma equação diferencial levanta suspeitas de terrorismo

Hoje ao percorrer as notícias online do Público, deparei-me com esta história que achei curiosa e aqui partilho com quem estiver interessado.

“Quando um avião da American Airlines se preparava para descolar, uma das passageiras estranhou o facto de o seu vizinho – de pele morena e cabelos castanhos encaracolados – estar a rabiscar freneticamente numa folha de papel. As sequências de números e letras pareceram-lhe ser árabe. E mandou parar o aparelho por recear estar perante um terrorista.

Fingindo sentir-se mal, a mulher chamou a hospedeira e o avião, que já se encontrava na pista, voltou para trás. Uma vez no exterior revelou aos seguranças do aeroporto a sua suspeita e pediu para mudar de voo.

Os seguranças retiraram o passageiro suspeito do aparelho e interrogaram-no, concluindo que se tratava de Guido Menzio, um prestigiado economista italiano que dá aulas na Universidade da Pensilvânia, e que aproveitava o momento antes da descolagem para resolver um problema matemático.

Menzio contou o sucedido a alguns jornais norte-americanos, revelando que quando lhe pediram para sair do avião pensava que era para tentar perceber as razões do mal-estar da pessoa que viajava ao seu lado. Afinal, ficou a saber que a sua vizinha suspeitava que ele era um terrorista, porque estava escrever uma coisas aparentemente estranhas numa folha de papel.

Foi então que lhes mostrou a equação diferencial que estava a resolver, para preparar uma conferência onde ia falar sobre dispersão de preços. Afinal, os caracteres suspeitos eram a universal linguagem matemática.

O economista – que no ano passado ganhou o prémio Carlos Alberto Medal que é atribuído ao melhor economista italiano com menos de 40 anos – contou ao Washington Post que foi tratado correctamente pelos agentes que o interrogaram, acrescentando que reconhecia neste género de incidentes “o sentimento que guia os eleitores de Donald Trump”, com o seu discurso anti-imigrantes e anti-muçulmano.

Questionado pela AFP, um porta-voz da American Airlines não soube dizer se o número de incidentes semelhantes a este aumentou nos últimos meses. Ainda no mês passado um estudante iraquiano foi retirado de um avião de uma outra companhia aérea norte-americana, porque estava a falar ao telefone em árabe antes de o avião descolar.”


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